Uma equipe de 25 profissionais liderados pelos professores Hélio Rubens Machado e Jayme Farina Junior, realizou, com sucesso, a segunda das quatro cirurgias de separação das meninas siamesas unidas pela cabeça. O procedimento foi realizado sábado (19) no Hospital das Clínicas de Ribeirão.

As irmãs de 1 ano e 9 meses, estão internadas na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do HC responderam bem à cirurgia, respiram sozinhas, se alimentam e se comunicam.

Assim como na primeira intervenção, realizada em fevereiro, os trabalhos foram concentrados na desvinculação de veias que unem as duas cabeças, o que ainda deve ser estender para a terceira fase, prevista para agosto. As meninas responderam bem à cirurgia, se alimentam, respiram e se comunicam normalmente.

Primeiro caso, com elevado nível de complexidade, do país

O procedimento é inédito no Brasil e envolve ampla pesquisa e planejamento. A equipe é composta por neurocirurgiões, cirurgiões plásticos, neuroradiologistas, anestesistas, pediatras intensivistas e enfermeiros.

As crianças foram trazidas do Ceará pelas mãos do neurocirurgião Eduardo Jucá que foi residente da neurocirurgia do Hospital das Clínicas. Ele também integra a equipe que realiza as operações nas irmãs siamesas.

O processo de preparação para a separação das crianças vem sendo desenvolvido há cerca de um ano e conta com a consultoria do especialista norte-americano James Goodrich, do Montefiore Medical Center, em Nova York, que já operou muitos casos semelhantes com sucesso.

Para viabilizar o procedimento, o crânio e o cérebro das duas foram reconstruídos de forma tridimensional, e um molde de acrílico foi feito nos Estados Unidos com todo o detalhe, cada veia e artéria do cérebro.

Para a separação total das irmãs, os procedimentos foram divididos em quatro fases. As três primeiras cirurgias são de separação dos vasos sanguíneos e de expansão da pele. O último e mais complexo procedimento que separará definitivamente os crânios deve ocorrer no final do ano.