Campanha chama atenção para riscos do câncer de cabeça e pescoço. Segundo o Inca, 43 mil novos casos no Brasil são detectados por ano 

O Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço é celebrado no dia 27 de julho.  A Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) e a Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG Brasil) promovem durante todo o mês de julho, atividades de conscientização e informação no combate a este tipo de câncer.

A iniciativa este ano traz o slogan: “O câncer tá na cara, mas às vezes você não vê”. Os profissionais do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo fazem apelo para que a população preste atenção aos primeiros sinais da doença e, que assim, a pessoa possa ter mais chances de cura.

Em Ribeirão Preto, o Hospital de Clínicas da FMRP-USP promoverá várias atividades em alusão à Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço, conhecida como “Julho Verde”. O objetivo é conscientizar a população quanto aos principais fatores de riscos para doença, e as formas de prevenção.

Entre os dias 24 a 31 de julho, os profissionais de saúde do Hospital das Clínicas da FMRP-USP realizam uma exposição de pôsteres, com distribuição de folhetos e orientação aos funcionários, acompanhantes e a comunidade do hospital no saguão da Portaria Principal, do Hospital das Clínicas, no Campus da USP.

No sábado, dia 27 de julho, alunos de graduação e pós-graduação do Curso de fonoaudiologia e medicina da FMRP-USP e os profissionais do Hospital das Clínicas da FMRP-USP estarão na Praça XV, no centro de Ribeirão Preto, das 9h às 14h, realizando atividade assistencial à população, com orientações, atividades culturais e oficinas com atividades de socialização dos pacientes laringectomizados (que passaram por retirada total da laringe), com a população.

Também haverá uma apresentação do Coral Zênite da USP em homenagem aos pacientes curados do Câncer de Cabeça e Pescoço, às 10h30.

O coordenador regional da campanha em Ribeirão Preto, professor Hilton Ricz, explica que o objetivo da campanha é esclarecer a população sobres os riscos da doença, que vem registrando aumento de casos nos últimos anos, e alerta que “quanto mais precoce for a detecção da doença, mais eficaz será o tratamento”.

Os tumores considerados de cabeça e pescoço são aqueles localizados na boca, na faringe (garganta), na laringe (cordas vocais), nos seios da face, na cavidade nasal, na glândula tireóide e glândulas salivares.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se que a cada ano sejam diagnósticos 640 mil novos casos de câncer. Sendo o de cabeça e pescoço, o segundo mais frequentes em homens (8,9%) e o quarto com mais incidência em mulheres (6,3%), com exceção do câncer de pele não melanoma, que também é considerado câncer de cabeça e pescoço e um dos que mais matam a população.

Os números assustam: O Brasil registra a cada ano cerca de 43 mil novos casos desses tumores malignos, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Os principais fatores de riscos são o tabagismo, o consumo de álcool e as infecções por HPV.

São cerca de 10 mil mortes ao ano no país, decorrentes do câncer de laringe e cavidade oral. Os sobreviventes enfrentam perdas significativas na qualidade de vida durante e após o tratamento. Tudo isso decorrente do diagnóstico tardio.

A incidência do câncer de cabeça e pescoço é 20 vezes maior em indivíduos que bebem e fumam, mas, nos últimos anos, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) tem sido responsável pelo aumento dos casos, principalmente pelo desenvolvimento de tumores na faringe. Uma das formas de contágios do HPV é por meio de contato sexual.

Entre os sintomas preocupantes estão manchas brancas na boca, dor local, lesões com sangramento ou cicatrização demorada, nódulos no pescoço, mudança na voz e rouquidão, e dificuldade para engolir.   A persistência de um desses sintomas por mais de 15 dias é sugestiva da presença do câncer, especialmente em fumantes e consumidores frequentes de bebidas alcoólicas. Tais manifestações servem de alerta para a procura do médico, com urgência.

Em Ribeirão Preto, o HC em conjunto com a Faculdade de Medicina da USP, presta atendimento aos pacientes com câncer de cabeça e pescoço, através equipes multiprofissionais compostas de médicos cirurgiões de cabeça e pescoço, oncologistas, radioterapeutas, dentistas, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, e enfermeiros especializados. No ambulatório do HCRP são realizados cerca de 12 mil consultas para diagnóstico ou seguimento oncológico, sendo aproximadamente 700 cirurgias de câncer de cabeça e pescoço por ano.