“Reerguendo-se após o AVC” é o slogan da campanha de combate ao Acidente Vascular Cerebral lançada, hoje, em todo o país. Estima-se que cerca de 300 mil pessoas, por ano, no Brasil, tenham algum tipo de sequela após o AVC. Outras 100 mil morrem. Para o neurologista Otávio Marques Pontes Neto, chefe do serviço de Neurologia e Emergência Neurológica do Hospital das Clínicas e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, dois fatores são obstáculos para redução dos números em todo o país: a prevenção e o acesso ao tratamento.

Mas apesar desses fatores, o Brasil ao lado da Argentina foram os dois únicos países da América Latina, nos últimos cinco anos, a reduzirem os casos da doença. “Este ano, a campanha tem como foco ampliar o conhecimento da população sobre a doença e capacitar os profissionais da saúde e assim fortalecer o acesso ao tratamento e a prevenção da doença”, explica Pontes Neto.

De acordo com ele, “a cada seis pessoas, uma terá um AVC e para aqueles com mais de 40 anos um em cada quatro terá a doença”. Reconhecer rapidamente os sintomas do AVC e identificar qual o tipo isquêmico ou hemorrágico é fundamental para reduzir os danos causados.

Prevenção – O AVC pode ser reduzido em até 90% dos casos atuais se os fatores de riscos forem eliminados: hipertensão, diabetes, sedentarismo, obesidade, alimentação com qualidade e não fumar.

Sintomas – Fraqueza de um dos lados do corpo, dificuldade em ouvir ou falar, perda de uma das visões, dificuldade em andar, dor intensa de cabeça. “A dor de cabeça não é comum em quem tem AVC, mas pode acontecer. Reconhecer estes sintomas são fundamentais para o sucesso do tratamento”, finaliza.

Tratamento – O AVC deve ser tratado nas primeiras horas. “Um individuo com AVC isquêmico (80% dos casos), deve ser tratado em até quatro horas com medicação que desobstrui os vasos. Mas quanto mais cedo, menos sequelas haverá. A cada minuto, o individuo perde 1,9 milhão de neurônios”, afirma Pontes. ”O rápido atendimento é fundamental para redução das sequelas”. No caso do AVC Hemorrágico (20% dos casos), quando há o rompimento de uma artéria, o tratamento pode ser cirúrgico ou clínico, dependendo do volume da lesão, da localização e da condição clínica do paciente.

Ambulâncias terão aplicativo para ajudar no atendimento a pessoas com AVC

Nas quase 30 ambulâncias do SAMU da região de Ribeirão Preto serão implantadas dois aplicativos no serviço de atendimento que vão funcionar iguais ao Uber. Isso permitirá que profissional do SAMU converse com a Unidade de Emergência e com a regulação médica e já possa ser feita uma triagem do paciente e o fluxo da ambulância seja monitorado na unidade que vai tratar o AVC.

Mais duas unidades especializadas

Esta em fase avançada a regulamentação e certificação de mais duas unidades especializadas de AVC nas santas casas de Sertãozinho e Batatais.